Você já perdeu totalmente a visibilidade da estrada, dirigindo à noite, quando o motorista que vinha em sentido contrário acendeu o farol alto? Você Já percebeu aquelas bolhas luminosas que cobrem as cidades, quando delas você se aproxima durante uma viagem noturna? Já teve dificuldade para dormir porque uma grande quantidade de luz da rua ou do seu vizinho entrava pela janela do seu quarto? Já notou como o céu das áreas urbanas possui menos estrelas do que o céu de áreas rurais? É claro que sim! Todos nós já passamos, vez ou outra, por algumas dessas situações. Esses fatos são causados pela utilização incorreta da iluminação artificial noturna, que gera a menos conhecida de todas as formas de agressão ao meio ambiente: a Poluição Luminosa.
A Poluição Luminosa é um problema ambiental sério pouco conhecido, que pode ser definida como sendo qualquer efeito adverso causado ao meio ambiente pela luz artificial excessiva ou mal direcionada produzida pelo homem nos centros urbanos, que causa fulgor, prejudicando as condições de visibilidade noturna. As luminárias mais utilizadas em iluminação pública são ineficientes e mal projetadas, emitindo um fluxo de até 60% de luz horizontalmente e para cima. A causa está no formato das luminárias, que não costumam abrigar corretamente suas lâmpadas e no ângulo de inclinação das mesmas. São os postes da iluminação das ruas, os das praças, em forma de globo esférico, os refletores das quadras de esportes, estacionamentos, canteiros de obras, clubes, aeroportos, etc.. O desperdício é denunciado de modo marcante pela enorme bolha luminosa que cobre as grandes e médias cidades. Essa luz extra em nada contribui para a iluminação noturna útil, uma vez que a única luz que realmente importa é aquela dirigida para o solo.
Além do prejuízo à Natureza, a luz que sai lateralmente das luminárias atinge nossos olhos e faz diminuir as nossas pupilas, causando-nos um ofuscamento e diminuindo nossa visibilidade noturna, que já foi responsável por muitas mortes no mundo. A iluminação mal projetada e excessiva, ao contrário do que julga o senso comum, não traz segurança e visibilidade. Esse brilho irritante confunde os pássaros e afeta as plantas.
A poluição luminosa ocorre sem necessidade, é um problema de solução tecnicamente simples e está causando enormes danos a um bem que é de todos. A solução do problema NÂO é apagar a luz das cidades, mas cuidar para que a iluminemos corretamente, enviando luz apenas para as áreas que queremos e precisamos enxergar, sem desperdício de luz e energia. Se cada dispositivo de iluminação fosse criado com o cuidado de aproveitar toda a luz gerada, dirigindo-a para baixo, os níveis de poluição luminosa cairiam mais de 80 por cento.
Pense no incômodo imposto à população com o horário de verão e com as sugestões para que se evite o consumo exagerado de energia elétrica, principalmente no horário do pico de demanda. Ouvimos dizer que não devemos tomar banho quente nem abrir a porta da geladeira por muito tempo, mas quando vamos lá fora e olhamos para as luzes da cidade, vemos todo o nosso sacrifício indo em direção ao espaço, sem maiores explicações. E talvez a maioria das pessoas não perceba isso, mas jogar luz para cima não aumenta a segurança de ninguém nem melhora a visibilidades das nossas ruas. É apenas a mesma coisa que queimar dinheiro, que em muitos casos é público.
O estado atual da iluminação pública é lamentável, principalmente depois que as lâmpadas de mercúrio começaram a ser substituídas pelas de sódio, amarelas, em luminárias dispersivas, aumentando muito o desperdício de luz. Tudo se dá por desconhecimento, descuido, falta de interesse ou surdez aos apelos desesperados daqueles que não se conformam com a vitória da ignorância, do descaso e do desperdício sobre a inteligência, o respeito e a economia. O que infelizmente ocorre é que lançamos uma quantidade enorme de luz na direção oposta às áreas que queremos iluminar à noite.
Na iluminação privada, os erros são causados por inúmeros modelos de luminárias, algumas delas apontadas verticalmente para cima. Vários são os casos de incômodo causado a quem mora perto dessas fontes geradoras de luz mal direcionada.
A meta dessa campanha é mostrar à todos que é possível iluminar melhor e mais barato, concentrando a luz em sua área de influência.
Segundo Orlando Rodrigues Ferreira, Diretor Geral do Observatório Nacional, “em conformidade e com algumas estimativas, algo em torno de 50% até 60% da energia elétrica gerada é desperdiçada para o céu forma de energia luminosa. Portanto, com o redimensionamento de luminárias e lâmpadas será possível aos cofres públicos uma economia imediata deste percentual em termos financeiros, além de consideráveis benefícios ambientais, como não se necessitará construírem novas e dispendiosas hidrelétricas, pois as atuais existentes passarão a ter seu potencial de produção utilizado sem perdas; não será mais necessário o alagamento de grandes áreas para represamentos de águas; não será mais necessário efetuar as caríssimas desapropriações de terras, com isso impedindo o processo de migração populacional e permitindo com que comunidades venham a desenvolver mais adequadamente; matas serão preservadas e suas significantes reservas de flora e fauna; as noites serão mais límpidas, possibilitando, destarte, uma maior dedicação às pesquisas astronômicas, etc.. Sem contar os benefícios sociais à questão, tais como geração de empregos pelo estabelecimento de novas indústrias, a estabilidade econômica e social dos municípios, avanço da consciência ética e social das populações envolvidas e muito mais.”
Precisamos nos unir para exigir das autoridades o respeito a que temos direito. Até quando suportaremos ouvir um governo falar em economia de energia e ao mesmo tempo promover o desperdício irracional em nossas cidades?
Há milhões de pessoas no mundo que começam a compreender que não se pode destruir o Planeta Terra em nome do lucro, como estamos fazendo hoje, sob o risco de nada deixarmos para as futuras gerações. Muitos estão acordando para os novos tempos que se aproximam e, por isso, começam a exigir mais respeito à Natureza. Estes percebem que pessoas inescrupulosas estão transformando a Terra em um verdadeiro inferno, por motivos puramente egoístas. Se você nada fizer, estará concordando com os destruidores. Portanto, reaja! Junte-se a nós nesta campanha por cidades melhores, bem planejadas, nas quais seja garantido o espaço existencial de cada um.
Somos responsáveis em garantir a generosidade e a beleza para as atuais a as futuras gerações. Podemos e devemos evitar atrocidades ecológicas, economia energética, obter uma melhor qualidade de vida e assegurar aos nossos filhos o direito de contemplar a beleza de céu repleto de estrelas, e darmos continuidade à cultura de anos, séculos, milênios, que os homens olham as estrelas, e investigam seus segredos. Não existe beleza comparável a uma noite estrelada!


